sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Como aprender sozinho em casa um novo idioma

Olá! Após quase um ano sem atualizações...

Aqui estou eu de volta com um artigo interessantíssimo (e bem extenso) para quem quer aprender um novo idioma, sozinho, sem sair de casa. Sim, isso é possível. Continue lendo e você descobrirá como.

Primeiro, gostaria de dizer que me considero uma autoridade no assunto "aprendizado de idiomas estrangeiros". Estudei por muito tempo a área de Linguística Geral e suas ramificações, aprendi inglês sozinho e hoje sou "tecnicamente" fluente, aprendi sozinho o romeno, que é uma das línguas modernas mais próximas do latim, e hoje estudo sozinho o grego moderno, uma língua considerada complicadíssima em comparação com o português. Tudo isso em casa, na frente do computador. Se eu posso você também pode.

Neste artigo eu dou apenas dicas genéricas simples e práticas para auxiliar o seu estudo de qualquer idioma, seja o inglês, chinês, russo, ou qualquer outra língua obscura. Isto não se trata de um guia completo de "como aprender sozinho o idioma tal", e não tenho essa pretensão. Eu não pretendo aqui ensinar nehnuma língua. Pretendo simplesmente detalhar um passo-a-passo mais ou menos ordenado de quais assuntos você deveria estudar. Além disso, você confere também ao longo do passo-a-passo diversos tópicos interessantes sobre Linguística Geral. Lembrando que a ordem desse passo-a-passo não é uma ordem rígida. Você vai acabar dando dois ou mais passos ao mesmo tempo, ou vai estudar um tópico antes de outro, ou ao mesmo tempo, e isso é normal.

Bom, então como aprender um novo idioma? Se você seguir os passos que eu segui e sigo, você também conseguirá aprender qualquer língua. Lembrando que pra isso você precisa ter algumas habilidades, conforme segue.

- Vontade. Isso é o principal e essencial. Se você não está afim de aprender, então nem perca seu tempo com isso. Ter vontade de aprender é o mais básico, não só para aprender um novo idioma, mas para qualquer coisa na vida. Tem que realmente querer, não estude apenas por obrigação ou necessidade, porque assim você não vai aprender nada.

- Tempo. Você precisa ter tempo sobrando pra estudar. Mesmo que seja por poucos minutos, mas você precisa ter algum tempo livre para poder pôr em prática as atividades que te ajudarão no aprendizado do idioma.

- Paciência. Você não vai sair falando uma língua estrangeira da noite pro dia, nem de uma semana pra outra, nem de um mês pra outro. Dependendo do idioma você vai precisar ter muita paciência e ir aprendendo aos poucos, algumas línguas como o espanhol são bem parecidas com o português então isso facilita bastante, porém outras como o grego são extremamente diferentes do português, o que complica muito as coisas.

- Perseverança. Não adianta começar a estudar hoje e amanhã desistir por achar muito difícil ou por qualquer outro motivo. É preciso insistir muito quando estiver estudando algo complicado. Por mais difícil que seja, se você não desistir, você consegue aprender, sim.

- Internet. Só pra constar, é básico, sem internet você nem sequer estaria lendo isso. Mas é a internet o seu maior aliado nessa jornada de aprender um idioma sozinho em casa. A quantidade de recursos disponíveis na rede é enorme.

- Inglês. O idioma mais difundido e estudado no mundo inteiro, língua franca em várias áreas e em vários países. A maioria dos recursos que você vai encontrar na internet está em inglês. Sem saber pelo menos o básico de inglês, sua vida vai ser muito difícil, pois vai ter que procurar recursos em português. Lógico que se você está estudando inglês não faz sentido você procurar recursos em inglês, sendo que não vai entender nada. Nesse caso a solução é procurar em português mesmo.

- Treino. Não adianta nada ler, ler e ler, estudar, estudar e estudar, sem praticar. Você precisa usar o idioma para alguma coisa qualquer. Mesmo que seja só para cantar incessantemente aquela música que você ouviu e não entendeu bulhufas. Se você não treinar, você vai esquecer tudo o que aprendeu e seu tempo, paciência e perseverança terão sido em vão. Sei que é clichê, mas não custa lembrar: treino é a chave da perfeição.

Enfim, se você tem estas habilidades, então está pronto para seguir as dicas que vou expôr neste artigo. Então vamos lá...


1 - Introdução

Comece pelo básico do básico. Se você ainda não sabe, pesquise sobre quais são os lugares onde se fala o idioma que você vai estudar. Fatos básicos que você deveria saber sobre ele:

Onde se fala?
Só para você se situar, saber qual é ou quais são os povos que falam nativamente este idioma, em quais países é língua oficial, em quais países é língua secundária, auxiliar, etc. Alguns países como a Espanha tem várias línguas nativas e oficiais, outros como o Brasil tem uma única língua oficial, outros como a Índia tem uma única língua oficial e várias minoritárias, reconhecidas ou não. Se alguém te perguntar onde se fala o idioma que você está estudando, o mínimo que se espera é que você tenha uma resposta para dar.

Quantas pessoas falam?
Quanto mais gente fala essa língua, maior será a quantidade de recursos que você encontrará para estudá-lo. Idiomas mais isolados e minoritários, são mais difíceis de estudar pois faltam informações ou estas são escassas. O chinês (mandarim) é o idioma mais falado no mundo. O inglês é o mais difundido. Referente a essas línguas o que não falta é material para estudo. Já o idioma basco (falado numa região entre o nordeste da Espanha e o sudoeste da França) é muito mais isolado e quase desconhecido no resto do mundo, dificultando o estudo pela escassez de material.

Qual a história e família linguística dele?
Sempre é bom saber de onde veio a língua que você está estudando. Desde quando ela é falada, e de qual ou de quais idiomas ela se originou. Isso pode facilitar a busca por materiais na internet, e você também pode antecipar a facilidade ou a dificuldade do aprendizado. Línguas neolatinas como o espanhol, italiano, francês e romeno são razoavelmente parecidas com o português, já que pertencem à mesma família linguística e compartilham uma história de evolução a partir do latim vulgar, assim é fácil entender por que estas línguas são mais fáceis do que outras, pois a gramática e fonologia de idiomas em uma mesma família costuma ser semelhante. Já as línguas germânicas como alemão e holandês são muito mais complicadas para os falantes de português, pois pertencem a uma família linguística distante, e a gramática e fonologia diferem consideravelmente.

Como se escreve essa língua?
Você precisa saber de antemão qual é o sistema de escrita do idioma. O alfabeto latino moderno, nas suas diversas versões, é hoje o sistema de escrita mais difundido no mundo. O cirílico é também um alfabeto comum, principalmente usado em línguas eslávicas como o russo e o búlgaro. O alfabeto grego já é muito mais isolado, usado apenas para escrever o idioma grego. Outros sistemas de escrita sequer são considerados alfabetos. Os chineses escrevem usando milhares de ideogramas, caracteres que representam idéias. Os japoneses misturam ideogramas importados do chinês com um silabário, caracteres que representam sílabas. Muitas línguas asiáticas usam um sistema chamado "abugida", conhecido também como alfassilabário, é uma espécie de alfabeto onde as consoantes são importantes e as vogais são símbolos secundários anexos às consoantes. O árabe e o hebraico usam um sistema chamado "abjad", onde os caracteres representam consoantes e as vogais são "subentendidas". Outro detalhe é saber em que direção se escreve. A maioria das línguas se escreve da esquerda para a direita. O árabe se escreve "de trás pra frente". O chinês e japonês podem ser escritos de cima para baixo. Existem até alguns casos raros de idiomas antigos em que se alterna entre escrever da esquerda pra direita e da direita pra esquerda, em zigue-zague, num sistema antigo conhecido como "bustrofédon", usado por exemplo para escrever certos dialetos antigos do grego. Procure na internet textos na língua que você está estudando, mesmo que à princípio você não consiga entender absolutamente nada.

Como se fala essa língua?
É muito importante que você procure ouvir alguém falando este idioma, mesmo que não entenda nada. Você precisa saber como o idioma é falado, como ele soa. Assista vídeos e escute músicas.

Tendo todas estas informações em mente, você e o idioma podem se considerar "apresentados". Você já tem uma idéia bem básica de onde se fala, quem fala, quantas pessoas falam, de onde surgiu, qual a família linguística, como se escreve e como se fala. Agora é hora de realmente se aprofundar em todas estas questões e aprender o idioma em si.


2 - Sistema de Escrita e Ortografia

Na introdução você aprendeu o básico do básico. Você certamente já sabe qual é o alfabeto, silabário ou seja lá qual for o sistema de escrita do idioma. Você deve saber qual é mas ainda não sabe usar. E é isso que você precisa aprender primeiro. Se o idioma que você está estudando usa o alfabeto latino, então felizmente você já está na metade caminho, pois esse é o mesmo alfabeto do português. No entanto, lembre-se de que o que chamamos de "alfabeto latino" é na verdade um termo genérico usado para identificar uma família de alfabetos derivado daquele usado para escrever o latim, que possuem a maioria dos caracteres em comum com este. Existem várias versões do alfabeto latino. Cada versão pode possui uma ou mais letras do que outra, ou pode possuir diacríticos (símbolos, acentos, etc) diferentes. Então mesmo que o alfabeto seja o latino, procure descobrir quais são todas as letras usadas para escrever o idioma, incluindo os diacríticos. Não se preocupe tanto em aprender a pronúncia por enquanto, pois isso será estudado em seguida. Primeiro familiarize-se com o sistema de escrita.

Partindo daqui, espera-se que você tenha a habilidade de reconhecer este idioma sempre que vir um texto escrito nele. Se você não conseguir isso, então ainda não está familiarizado o suficiente. Repita este passo até que seja capaz disso.


3 - Fonologia

Fonologia é o nome dado a um ramo específico da Fonética, que por sua vez é um ramo específico em Linguística Geral. O termo "fonologia" remete a algum idioma em particular, e refere-se ao conjunto de todos os sons utilizados para falar um determinado idioma. É neste passo que é importante lembrar do sistema de escrita. Estude como se pronuncia cada um dos caracteres do sistema. Se for um alfabeto, você precisa saber qual é o som de cada letra. Lembrando que muitos idiomas empregam o que se conhece por "dígrafos", grupos de duas ou mais letras que representam um único som. Outro ponto importante é que existe uma constraste entre alfabetos fonéticos e não-fonéticos. Em alfabetos fonéticos como o do espanhol, cada letra ou grupo de letras representa um único som. Em alfabetos não-fonéticos, como o do português e inglês, cada letra ou grupo de letras pode representar um ou vários sons diferentes, baseado geralmente em sua posição dentro de palavras específicas. Lembre-se também dos diacríticos (símbolos ou acentos em cima ou embaixo das letras). Em línguas como o inglês, diacríticos são extremamente raros. Em outras línguas como o romeno e o português, eles existem em abundância. Os diacríticos alteram ou complementam de alguma forma o som de uma letra ou grupo de letras. Outro detalhe importante é que algumas línguas são tonais. Uma língua tonal é um idioma no qual, basicamente falando, o tom de voz ou "contorno do tom" usado para pronunciar uma palavra faz com que ela tenha um significado completamente diferente de outra palavra que se escreve e se fala quase do mesmo jeito. O chinês é um exemplo típico de língua tonal.

Então você precisa se familiarizar com todos os sons do idioma. Importante lembrar, que não basta apenas escutar pessoas falando este idioma. Você precisa aprender a pronunciar os sons. Qual é o segredo para isso? Treino. Muito treino. Minha dica mais valiosa para você neste passo é a seguinte: escute e cante muita música. Nada facilita mais o aprendizado dos sons de um idioma do que cantar. Posso até afirmar que esse é o maior segredo para a fluência em um idioma. Partindo daqui, espera-se que você reconheça este idioma quando ouvir alguém falando e que seja capaz de ler qualquer palavra neste idioma, mesmo sem saber o significado. Se você não conseguir isso, repita este passo até que seja capaz.


4 - Vocabulário

Vocabulário refere-se a um conjunto qualquer de palavras. As palavras são os elementos básicos de expressão em qualquer idioma. Não adianta nada saber o alfabeto e os sons, sem ter como se expressar com isso. Você precisa aprender palavras. Muitas palavras. As dicas mais importantes neste passo são as seguintes:

Pegue um texto no idioma, e tente traduzí-lo. Hoje em dia com ferramentas como o Google Tradutor, isso é extremamente fácil. Mas não caia nessa de copiar um texto inteiro e colar lá, para traduzir tudo de uma vez só, porque isso não funciona. O Google Tradutor é apenas um programa de computador, a tradução não tem como ser perfeita, lembrando que essa ferramenta adapta e distorce muitas expressões. Pegue palavra por palavra e vá traduzindo. Quando perceber que alguma frase não faz sentido, tente entender o motivo.

Em muitas línguas existem construções chamadas "expressões idiomáticas", conjuntos de palavras que possuem um significado maior, muitas vezes totalmente diferente do significado individual das palavras componentes. Expressões idiomáticas são a maior armadilha dos tradutores, pois estas expressões nem sempre são traduzíveis, sendo necessário adaptá-las ou encontrar expressões equivalentes ou que expressem algo semelhante, sendo que nem sempre isso é possível ou nem sempre faz sentido. Se você chegar nesta situação, tente pesquisar a expressão inteira ao invés das palavras individuais. O Google é seu maior amigo aqui. Se tudo falhar, você pode simplesmente deixar a expressão de lado por enquanto. Quando você tiver um conhecimento maior do idioma, quando já tiver ouvido bastante música, assistido bastante vídeos, lido bastante textos, você vai acabar vendo aquela expressão novamente, e uma hora você acaba descobrindo o significado, muitas vezes pelo contexto. Num último caso, faça amizade com alguém que fala este idioma e peça ajuda.

O processo de tradução de um texto num idioma estrangeiro para o seu idioma nativo auxilia enormemente o aprendizado, pois você se vê obrigado a encontrar o significado de todas aquelas palavras. Você pode começar com frases, e passar para textos mínimos, parágrafos de textos maiores, e ir traduzindo textos cada vez maiores. As palavras mais comuns em um idioma repetem-se muitas e muitas vezes tanto no mesmo texto quanto em textos diferentes, e com o tempo, de tanto traduzir as mesmas palavras, você acaba memorizando, e assim aumentando cada vez mais o seu vocabulário.

Infelizmente este processo não pode ser resumido em um único passo. Você precisa fazer isso sempre. Sempre vai haver aquele momento em que você vai ouvir ou ler uma palavra menos comum, que ainda não conhece, e terá que traduzir.

Outra dica, referente também à tradução e à aquisição do vocabulário, é o seguinte: quando estiver ouvindo pelo rádio ou em algum vídeo, alguém falando o idioma, vá anotando as palavras que não conhece. Depois, procure o significado delas. Isso pode ser muito complicado inicialmente, e talvez só seja realmente possível depois de estar muito familiarizado com o alfabeto e a fonologia.

Algo que pode ajudar também, é a forma como o cérebro humano adquire conhecimento. Cientistas já provaram que o cérebro humano é muito mais estimulado por imagens do que por palavras, e mesmo como já dizia o velho ditado: "uma imagem vale mais que mil palavras". Assim, você pode fazer uma brincadeira educativa: coloque no Google Imagens a palavra no idioma que você quer saber o significado. O Google trará fotos ou imagens diversas que mais tiverem relação com a palavra que você pesquisou. Isso geralmente se resume a fotos e desenhos do objeto cujo nome é aquela palavra. Por esse motivo essa brincadeira funciona mais com palavras representando objetos. No caso de você pesquisar por algo que não seja concreto, como "amor" ou "ódio", você verá imagens relacionadas mas que nem sempre são traduções adequadas. No caso de procurar por palavras que são partículas, preposições, advérbios, conjunções, ou outras classes de palavras que não trazem um significado concreto, o resultado é muito menos instrutivo. Por exemplo, ao procurar por "amor" você pode acabar se deparando com fotos românticas de casais, com desenhos de corações, ou até com algumas imagens pornográficas. Por isso eu recomendo que você use este recurso com bastante cuidado. Ao ver as imagens relacionadas com a palavra que você não sabe o significado, automaticamente o seu cérebro começa a associar a palavra com as imagens. Por via das dúvidas, depois de ver as imagens e tentar adivinhar o significado, procure a tradução dela e veja se acertou e se era aquilo mesmo.

Uma última dica, e isso serve para acompanhar a sua evolução e para fixar o aprendizado do vocabulário, é o seguinte: crie uma planilha e coloque o nome de "Vocabulário do Idioma tal" (ou qualquer outro nome que preferir). Pode ser no Excel mesmo, ou se preferir algo online que esteja sempre disponível em qualquer lugar, crie no Google Docs. Nessa planilha, você vai listar as palavras que você já conhece naquele idioma. Numa coluna, coloque a palavra na língua estrangeira, e na coluna ao lado coloque a tradução ou traduções. Você pode inserir expressões idiomáticas também e do lado colocar a adaptação para o português ou outra expressão equivalente. Eu recomendo fazer essas inclusões na planilha periodicamente, e não abandoná-la. Por exemplo, você pode atualizar a planilha ao final do dia antes de ir dormir, colocando lá todas as palavras que você aprendeu no dia. Não recomento incluir na planilha imediatamente após aprender a palavra. Se você fizer isso algum tempo depois, o efeito é melhor, pois você vai precisar lembrar do significado que você aprendeu, e essa força que você fizer tentando se lembrar ajuda muito na memorização. É realmente impressionante como todo esse processo vai te ajudar. Sempre me ajudou, e com você isso não será diferente. Após atualizar a planilha, eu recomendo revisá-la inteira, desde a primeira palavra incluída. Algo interessante é ocultar (ou apagar mesmo) a coluna com as traduções e tentar lembrar tudo denovo. O segredo por trás disso é que a força que você faz para lembrar das coisas faz o cérebro fixar elas. As coisas que você memoriza na vida, você memoriza depois de repetir por várias vezes e tentar lembrar delas todas as vezes, até o ponto em que você não consegue mais esquecer. A partir do momento em que você vir a palavra e imediatamente saber o significado sem precisar pensar nem forçar a memória, considere que ela já é parte integrante do seu vocabulário. A planilha te ajuda também a acompanhar a sua evolução no aprendizado do idioma. Você vai vendo ela crescer, a cada dia com mais palavras, e isso te motiva a continuar estudando para que ela continue crescendo cada vez mais. É realmente um instrumento valiosíssimo.

O aprendizado do vocabulário é praticamente constante, você vai estar fazendo isso sempre, pois sempre vai ter aquela palavra rara que você ainda não conhece ou nunca tinha ouvido antes. A tendência é que depois de muitos anos construindo um vocabulário, a necessidade de adquirir novas palavras diminua, de forma que você conseguirá ler, entender e escrever a grande maioria dos tipos de texto sem precisar de ajuda do dicionário, será algo fluente. Seu maior desafio será o próximo passo, onde você precisará colocar todas essas palavras em um contexto, e formar frases e escrever textos, seguindo as regras específicas do idioma.


5 - Gramática

A Gramática é, basicamente falando, um ramo da Linguística onde se estudam as regras dos idiomas, tratando dos seguintes tópicos por exemplo: como construir frases colocando as palavras na ordem correta, como conjugar verbos, como flexionar palavras para concordar em gênero, numero e grau, etc. A Gramática é na maioria dos casos a parte mais difícil no aprendizado de um novo idioma. Tudo bem, você já sabe o alfabeto, já sabe os sons das palavras, já preencheu sua planilha e seu cérebro com centenas ou milhares de palavras, mas ainda não consegue escrever um texto gramaticalmente correto, seja por não saber conjugar os verbos, por não saber declinar os substantivos, por não saber formar o plural, ou por vários outros motivos. É neste passo que você precisa sanar todas essas dúvidas. Gramática é um tópico muito amplo, e depende principalmente de qual idioma está sendo estudado. Alguns idiomas tem uma gramática extremamente simples, outros tem uma gramática extremamente complexa beirando o impossível. O inglês por exemplo possui uma gramática relativamente fácil. Já o português é tão complexo que nem a maioria dos brasileiros o falam corretamente, mesmo sendo a língua nativa. O grego moderno eu posso assegurar que é, em vários aspectos, muito mais complexo até do que o português. O grego antigo, mil vezes mais. Se você estiver estudando uma língua com sistema de declinação nominal, como o romeno ou grego, você precisa aprender os casos e como declinar as palavras de acordo com cada caso. Se o idioma possui um sistema de conjugação de verbos, você precisa aprender quais são os tempos e modos verbais, e como se conjuga os verbos em cada combinação de modo, tempo e pessoa, quando for o caso. A gramática é um tópico tão complexo que é difícil até mesmo uma discussão clara e genérica sem referência a um idioma em particular. Cada língua tem a sua gramática específica e em geral as regras dela se aplicam exclusivamente àquele idioma em particular. Mas basicamente o que você precisa descobrir e pesquisar é o seguinte:

- Quais são as classes gramaticais? Existem verbos? Substantivos? Pronomes? Adjetivos? Verbos? Advérbios? Conjunções? Preposições? Partículas? Interjeições? Numerais? Podem existir muitas outras.

- Como se conjugam os verbos? Quais são os tempos verbais? Quais são os modos verbais? Quais outras características os verbos apresentam? Existem verbos reflexivos?

- Os substantivos se flexionam em número? Em gênero? Em grau? Quais são os números? Quais são os gêneros? Quais são os graus?

- Que tipos de pronomes existem? Só os pessoais? Tem pronomes possesivos? Demonstrativos? Relativos? Reflexivos? Recíprocos? Indefinidos? Interrogativos? Podem existir muitos tipos.

- Os adjetivos concordam com os substantivos e pronomes? Concordam em que? Gênero? Número? Grau?

São muitas questões que você precisa esclarecer, dependendo do idioma. Mas a minha dica principal neste passo é o seguinte: aprenda as regras do idioma e comece a montar frases ou textos pequenos gramaticalmente corretos. Pelo menos tente. No início pode ser difícil, mas como já comentei anteriorimente, o segredo da perfeição é a prática. Aqui você pode fazer o contrário do que fazia para aprender o vocabulário. Ao invés de pegar um texto no idioma estrangeiro e traduzir para português, pegue um texto em português e tente traduzir para o outro idioma. Nesse processo você vai precisar adaptar muitas expressões e enquadrar a mesma mensagem do texto nas regras da gramática daquele idioma. Nesse processo você vai ser obrigado a aprender a gramática. Quando vir um verbo em português flexionado em um tempo, modo e pessoa, você terá que descobrir como fazer o mesmo no outro idioma. Quando vir uma palavra no plural, terá que aprender a formar o plural no outro idioma, e assim por diante.

Quando você estiver na dúvida se escreveu algo corretamente, uma dica interessante é pesquisar a frase ou expressão no Google entre aspas. Se existir, o Google vai trazer resultados de páginas contendo essa frase ou expressão exata. Você então pode se basear na quantidade de resultados para tentar deduzir se escreveu certo ou errado. Se aparecerem muitos resultados, isso significa provavelmente que o que você escreveu está certo, já que esta mesma frase aparece escrita exatamente igual em tantas páginas. Se aparecer nenhuma ou muito poucos resultados, isso provavelmente significa que o que você escreveu está errado, e que os poucos resultados que apareceram são páginas onde também escreveram a mesma coisa errado. Esse "truque" de dedução se baseia no fato de que muito mais pessoas escrevem certo do que errado, ou em outras palavras, que as pessoas que escrevem errado são uma minoria.

Considere-se bom na gramática de um idioma quando você conseguir ler, escrever, falar e entender fluentemente ou quase fluentemente. Com certeza isso leva muito tempo dependendo do idioma estudado.


6 - Prática

Você precisa pôr em prática todos os seus conhecimentos no alfabeto, fonologia, vocabulário e gramática do idioma que está estudando. Existem diversas formas de praticar. Você pode continuar fazendo o que faz desde o início: traduzindo textos do idioma estrangeiro para português e vice-versa. Escutar e cantar música num idioma estrangeiro comprovadamente auxilia muito na obtenção da fluência. Algo interessante a se fazer é conseguir amigos que falem este idioma que você está estudando. Talvez seja difícil no Brasil encontrar alguém que fale outra língua além do próprio português. Mesmo o inglês que é a língua mais estudada no mundo, poucos brasileiros tem domínio deste idioma. No caso de não encontrar alguém próximo, procure na internet e faça amigos virtuais mesmo. Se você fala inglês, é muito fácil encontrar amigos virtuais para praticar. Mesmo que você esteja falando uma língua pouco conhecida, muita gente ao redor do mundo fala inglês, até um certo nível, e você pode inicialmente conversar em inglês com alguém que fale este idioma e aos poucos ir tentando falar naquela língua. Como a pessoa é falante nativo, ela pode ajudar a corrigir seus erros.

Existem sites especializados no ensino de idiomas, e o que é melhor, gratuitamente. Eu recomendo muito o site Livemocha, é algo como uma rede social (tipo Facebook) voltada ao estudo de idiomas. Lá você encontra uma comunidade enorme de falantes nativos de muitas línguas diferentes ao redor do mundo. Você pode fazer os cursos gratuitos e praticar com falantes nativos, membros da comunidade. Você pode também ajudar estudantes de português a falar o nosso idioma nativo, corrigindo exercícios, etc. Basta fazer o seu cadastro e começar um curso, gratuitamente. Acesse http://livemocha.com/ e treine bastante!


7 - Conclusão

Todo esse processo de aprendizado de um novo idioma é algo constante, e como falei anteriormente, o passo-a-passo não tem uma ordem rígida. Você não necessariamente começa com o alfabeto, vai pra fonologia, passa pelo vocabulário e termina com a gramática. Você pode precisar inverter os passos, e repetir muitas vezes muitos deles, alternando ou praticando vários ao mesmo tempo. Tudo depende do seu ritmo de estudo, da sua vontade e da sua capacidade de aprendizado. Apesar dessa falta de rigidez na ordem dos estudos, você certamente terá que estudar todos estes tópicos, seja lá em que ordem for, porque praticamente todas as línguas do mundo possuem quase todas estas características. E lembre-se sempre: treino, treino e mais treino!

Espero sinceramente que este artigo tenha auxiliado nos seus estudos de algum idioma estrangeiro. Quaisquer dúvidas, sugestões ou correções, deixe seus comentários abaixo.

Até breve!